quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Since 1994

1994
Nasci neste ano. Comecei o caminho que tinha a seguir. Descobri que o mundo tinha cores, que me podia mexer, que podia fazer gestos em função daquilo que queria. Conheci a minha família. Recebi muitos presentes que para mim não passavam de meros bonecos dos quais nem sabia fazer uso. Descobri que podia gatinhar e andar. Nasceram-me os primeiros dentes e logo soube o que fazer com eles.

1995
Comecei a falar. A dizer “mamã e papá” como todos os bebés. Já sabia andar bem, mas ainda dava muitos trambolhões.

1996
Aqui começou outra parte da minha vida. Descobri que para além de ter família podia ter amigos. Entrei num colégio e ensinaram-me como brincar e a crescer. Foi aqui que comecei a fazer aquelas festas de anos cheias de miúdos a gritar por todos os lados, completamente histéricos.

1997
Aos poucos fui tendo mais e mais amigos. Alguns ainda me acompanham, outros foram ficando para trás com o tempo. Mais um ano de colégio que me deu para crescer não só em tamanho mas também em pensamento.

1998
Neste ano já estava mais próxima de tudo, das pessoas. Sabia o que tinha a fazer e para onde tinha de ir.

1999
Último ano do colégio. Lá aprendi muitas coisas, com a ajuda das educadoras e amigos. Aprendi a ser uma pessoa civilizada desde cedo, tal como deve ser feito. Neste ano custou-me perceber que tinha que largar muitas das coisas que tinha conquistado, mas o que tem que ser tem muita força.
2000
Este foi mais um ano diferente na minha vida. Entrei para a escola. Fiz mais amigos e “esqueci” os outros que já tinha conquistado. Também foi um ano muito difícil, porque perdi uma das pessoas que mais me tinha apoiado ao longo da minha vida. Mas aos poucos tudo foi acalmando. Aqui decidi começar oficialmente a andar no rancho, mesmo pensando que aquilo era simplesmente um acumular de musicas de antigamente.

2001
2º ano. Já sabia ler e escrever. Já tinha feito outros amigos. As festas de anos continuavam a ser barulhentas, mas já com mais brincadeira e amigos á mistura.

2002
E aqui começou a maior “guerra” da minha vida, o estudo. Até aqui tudo era fácil, tudo já tinha sido aprendido com rapidez. Comecei a perceber que havia muito mais que tabuadas ou números para saber fazer. Percebi que ter português não era só ler, e ter estudo do meio não tinha só a ver com a natureza, como pensava até aí. Decidi iniciar um desporto do qual passei a gostar muito, a patinagem.

2003
Aqui estava a terminar mais uma etapa da minha vida, a primária. Já tinha passado por vários desentendimentos, mas tudo foi ultrapassado e esquecido, ou pelo menos deixado para trás. Aqui comecei a aperceber-me do que era realmente crescer.

2004
Mais um longo e novo caminho a percorrer, o ciclo. Comecei o 5º ano, fiz mais amigos novos. Sofri algumas mudanças, pois muitas das pessoas que até aqui conheci foram viver para longe de mim ou para uma escola diferente. Aquelas que cá ficaram, ajudaram-me a continuar a crescer.

2005
Aqui continua o desafio, não só de crescer mas de continuar a estudar mesmo sem gostar de metade das matérias. Todos temos que fazer coisas que não gostamos, apesar de sabermos que não devia de ser assim. E no fim do ano tive a grande surpresa, dizem que me tornei mulher apesar de achar que já o era quando nasci. Tive que aprender a viver numa casa grande com 2 homens ao meu lado de dia e de noite, e não ter um beijinho ao adormecer da mãe. E mais uma vez me vi obrigada a largar aquilo que gostava. A patinagem era para mim um mundo, mas por escolha minha decidi sair.

2006
Este ano foi complicado. Começou uma das melhores etapas da minha vida até hoje. Estava a entrar na adolescência, mesmo sem me ter apercebido ainda. Aqui estava um ano de novas experiências, novos conhecimentos. Neste ano meti os pés pelas mãos, quase chumbei mas dei a volta por cima e saí a ganhar. Começaram as preocupações com os cuidados que devia de ter comigo própria. Comecei a reparar que no mundo não havia só o sexo feminino no fundo. Entrei numa fase de adaptação.

2007
Neste ano apercebi-me que o mundo era o que eu fazia dele. Decidi que ia acabar a escola, mesmo sem vontade nenhuma de o fazer. Já não era só o ralhete do pai nas férias de verão que me preocupava, mas sim o que poderia acontecer no futuro comigo. Foi um ano complicado, e também me deu muito trabalho para o conseguir terminar. Não pelas notas da escola, mas sim pelos conhecidos de quem eu não gostava nada e tinha que aprender a conviver todos os dias. Mas tudo se consegue com calma.





2008
E quantas viagens não tinha feito já, ou quantos sítios ainda tinha por visitar. Com o rancho comecei a conhecer lugares, pessoas, culturas. Fez-me crescer e querer continuar a mostrar o que era realmente a nossa cultura. Até aqui pensava que andava lá porque já me tinha habituado, mas não. Queria mostrar aos outros o que eu já conhecia. Aqui comecei a mudar a minha forma de ser e de estar, mas não dei por nada na altura. Terminei o ciclo e tive que escolher o meu caminho.

2009
Novos amigos, nova escola, novas mudanças. Foi um ano diferente do que já tinha passado. Já tinha aceitado coisas que não pensava vir a aceitar. Tive que crescer mais que algumas pessoas em alguns momentos da minha vida. Decidi ir para um curso onde iria concluir a escola e por fim começar a trabalhar, como tanto queria. Já pensava no meu futuro muitas vezes e fazia planos. Desde nova comecei a fazer voluntariado, mas não era nem igual nem parecido a ganhar o meu próprio dinheiro e ter as minhas próprias coisas compradas por mim.

2010
Considerado por mim o melhor ano da minha vida até hoje. Novas descobertas aconteceram na minha vida. Descobri que existia um amor diferente para além do amor da família e amigos. Descobri o que era amar alguém. Percebi que tinha feito uma boa escolha em relação ao curso que frequentava, mas que na realidade não era nada daquilo que eu queria fazer para o resto da minha vida. Percebi o que era ter saudades de alguém que nos fazia falta todos os dias porque nos fazia sentir felizes e realizados, mas tudo tem um início, meio e fim. Foi aqui que comecei a aceitar melhor que tudo o que nos acontecia tinha uma razão de ser.

2011
Ano recente. Tal como disse antes tudo tem um início, meio e fim, e a minha história ainda não tinha terminado. Podia errar em muitas coisas, mas ninguém se engana 2 vezes seguidas. Decidi dar uma segunda oportunidade ao amor e a mim própria. Desta vez poderia melhorar o que antes tinha feito mal ou menos bem. Foi um ano de crescimento, tal como todos os outros. Considero que cresci talvez um pouco mais do que nos anteriores. Mudei a maneira de ver a vida, de sentir as coisas e de perceber. Simplesmente me apercebi que o meu caminho está a chegar ao fim de mais uma etapa.

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